Festas do Antigo Testamento

 

Introdução

O homem do Antigo Testamento celebrava várias festas ao longo do ano; eram celebrações santas, cada qual com seu propósito. As festas expressam um dia ou período de alegria religiosa. Através destas festas, o homem reconhecia a Deus como seu provedor e também era relembrado o livre e ilimitado favor do Senhor para com seu povo.

O reconhecimento do pecado e a devoção à lei de Deus estavam igualmente envolvidos; o israelita não apenas comparecia a festa como um beneficiário do favor divino, mas também restituía ao Senhor conforme fora beneficiado.

A instituição destas festas está no capítulo 23 de Levítico. Este capítulo trata das festas religiosas israelitas. A festa da páscoa, pães asmos (sem fermento), colheita e festa das cabanas; nestas três ocasiões o israelita deveria ir ao santuário central[1]. Além destas festas, havia outras três, a saber, festa das primícias, da trombeta (ano novo), da expiação (perdão) e, incluindo aqui também o sábado.

Existem outras festas fora da narrativa de levítico 23. A primeira é a festa da lua nova[2], onde celebrava o primeiro dia do mês, a segunda era a festa do Purim, que celebra a libertação dos judeus nos tempo de Ester. A terceira é o ano de descanso, em que não havia plantação para descansar a terra. A quarta é o Ano do Jubileu, em que, a cada cinquenta anos os escravos eram libertos e as terras devolvidas a seus donos originais. A quinta é uma festa extra bíblica chamada hanukah que comemorar a recuperação do templo por Judas Macabeu[3] em 164 a.C.

As festas são as seguintes

– Sábado: Celebrada a cada 0 7 dias – Era dia de descanso para homens e animais, também chamado de “sábado de descanso” (Levítico 23:2-3; Isaías 1:13; Isaías 58:13)

– Lua Nova: Celebrado no primeiro dia do mês lunar; as atividades comerciais eram suspensas; era dado descanso as pessoas e animais. (Números 10:10; 28:11-15; 1Samuel 20:5-6; 2Reis 4:23 e Amós 8:5).

– Ano de descanso: Celebrado a cada 07 anos; neste ano as terras não eram cultivadas. Propósito de descansar a terra. (Êxodo 23:10-11; Levítico 25:1-7 e 18-22; Deuteronômio 15:1-18)

– Ano do Jubileu: Celebrado a cada 50 anos. Os escravos eram libertos e as terras devolvidas a seus respectivos donos. O objetivo era ajudar aos pobres e a preservação da ordem social. (Levítico 25:8-11; 27:17-24; Números 36:4)

– Páscoa: Celebrado 01 vez ao ano, no dia 14 de nisã (março-abril). Um cordeiro era morto e comido com ervas amargas e pães amos. Era lembrada a libertação da escravidão no Egito. Páscoa vem do Hebraico pesah, de um verbo que significa “passar por cima” (no sentido de poupar), sendo uma referência de quando Deus poupou as famílias israelitas da última praga, a saber, a morte do primogênito (Êxodo 12:1-14; Levítico 23:5; João 2:13).

– Pães amos: (alguns estudiosos afirma que é a mesma páscoa) Comemorado entre os dias 15 e 21 de nisã (logo após a páscoa). Eram preparados pães sem fermento para lembrar que Deus havia tirado o povo do Egito as pressas. (Êxodo 12:15-20; 13:3-10; Levítico 26:3-8; Marcos 14:1-12)

– Primícias \ Pentecoste: Celebrado 50 dias após a páscoa, 06-16 de Nisã. Comemorava a colheita do trigo, era ofertado os primeiros frutos da colheita para reconhecer que todas as coisas vinham de Deus. (Êxodo 23:16; 34:22; Números 28:26; ).

– Semanas \ Tabernáculos (cabanas\barracas): Era uma semana de festas por causa da colheita. O povo morava em barracas e oferecia sacrifícios; era comemorado entre os dias 15 e 21 de tisri e lembrava a peregrinação no deserto. (Levítico 22:33-36; 39:43; João 7:2; 7:37)

– Trombetas: Dia de descanso e de fazer ofertas. Celebrado em 01 de tisri (setembro-outubro) para comemorar o inicio do ano civil. Trombetas e chifres de carneiro eram tocados o dia todo. (Levítico 23:24; Números 29:1-6)

– Dia da expiação (perdão | Yom Kippur): Realizado uma vez por ano, era dia de purificação dos pecados dos sacerdotes e do povo; era dia descanso e jejum e ofertas eram oferecidas. Celebrado entre 15 e 21 de tisri (setembro-outubro). (Levítico 16; 23:26-31; Êxodo 30:10; Hebreus 9:7).

– Santa convocação: Comemorava o fim do ciclo de festas; dia santa convocação para descanso e sacrifícios. Celebrado no dia 22 de tisri. (Levíticos 23:36; Números 29:35-38

– Purim: Celebra a libertação dos judeus nos tempo de Ester. Dia de alegria e festa, o livro de Ester era lido e o nome sempre que o nome de Hamã é citado ocorre gritos e vaias. Festa celebrada nos dias 14 e 15 de adar (fevereiro-março). (Ester 9:18-32).

Moderno calendário judaico de festas ano de 5762 (2003)

Tu Bishvat: Ano novo das árvores – 28/01                                                                                     

Purim: Comemora a Salvação do povo judeu na Pérsia Antiga – 25 e 26/02     

Pessach- Páscoa: Comemora a libertação do povo da escravidão do Egito – 27/03 a 04/04   

Yom Hashoah: Recorda o levante do gueto de Vársovia e do Holocausto –  09/04           

Yom Hazikaron: Dia de homenagem aos soldados tombados do exercito de Israel – 16/04 

Yom Haatzmaut: Aniversário da Independência do Estado de Israel – 17/04                   

Lag Baomer: Aniversário da morte do Rabi Shimon bar Lochai – 30/04 

Yom Yerushalaim: Dia da libertação de Jerusalém – 10/05

Shavout: Comemora do recebimento das tábuas da Lei e festa da colheita – 17/05

Tisha Be Av:  Jejum– Destruição dos Templos – 18/07

Rosh Hashana: Ano Novo Judaico (5763)  – 06/09

Kol Nidrei: Véspera do Yom Kipur – 15/09

Yom Kipur: Dia do Perdão (O mais sagrado dia do Judaísmo) – 16/09

Sucot: Festa das cabanas e das 4 espécies de plantas que expressam a união do povo – 21/09                            

Simcha Tora: Festa do encerramento e do início do ciclo anual da leitura do Torá – 29/09

Chanuka: Festa das luzes ( Vitoria da luta pela liberdade religiosa) – 29/11

Referências Bibliográficas

Bíblia de Estudo de Genebra, 2 Edição. Editora Cultura Cristã 2009

RYRIE, Charles Caldwell. A Bíblia de Estudo Anotada Expandida. Mundo Cristão, 2008

Bíblia de Estudo NTLH. Editora Sociedade Bíblica do Brasil 2005

DOUGLAS, J.D. O Novo Dicionário da Bíblia. Editora Vida Nova, São Paulo 2006


[1]Êxodo 34:23-34; Deuteronômio 16:16-17
[2]Veja uma referência à festa da Lua Nova em Isaías 1:13-14
[3]Momento ocorrido no chamado período intertestamentário (entre Malaquias e Mateus). O imperador Antíoco IV governa a Síria e proíbe a prática do judaísmo. Em 167 a.C se inicia a chamada “Revolta dos Macabeus”, liderada pelo judeu Judas Macabeu. A batalha durou 24 anos (166-142 a.C.) e trouxe a independência de Judá, independência que permanecerá até 63 a.C. quando os romanos tomam o poder.

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