As Viagens Missionárias de Paulo – 45–67 d.C.

Breve biografia de Paulo de Tarso

Paulo, nas bíblias em português é variação do latim Paulus; que significa “pequeno”. O nome original vem do hebraico Shaul, mas em grego a pronuncia era Saulos. Pouco sabemos da vida de Saulo desde o seu nascimento até quando figura em Atos 8 consentindo na morte de Estevão. Hoje sabemos que ele é o o maior nome da Igreja primitiva[1].

Nasceu em Tarso, na Cicília, os principais estudiosos apontam seu nascimento entre 5-10 d.C e seu martírio entre 67-70 d.C.; era israelita da tribo de Benjamim[2], foi  circuncidado ao oitavo dia, conforme costume, e também era Fariseu[3]. Por ter nascido em Tarso era cidadão romano[4]. Foi educado em Jerusalém pelo rabino Gamaliel[5].

Jerônimo cita uma tradição que afirma que seus antepassados eram da Galileia; pela sua educação e proeminência desde bem cedo, podemos determinar que sua família tinha alguns recursos e era de posição proeminente. Tinha pelo menos uma irmã e um sobrinho que moravam em Jerusalém[6]; O acesso de seu sobrinho entre os líderes de Jerusalém está de conformidade com essa impressão[7] de Jerônimo sobre a influência de sua família.

Foi um fariseu severo, duro perseguidor dos cristãos[8]. Ao se converter[9] muda seu nome de Saulo para Paulo[10] e se torna pregador do evangelho e o último dos apóstolos.

1. A primeira viagem – Atos 13 e 14.

1.1 O Impulso Missionário

Barnabé e Saulo estavam trabalhando há um ano juntos em Antioquia. A igreja havia crescido muito numericamente e, o mais importante, espiritualmente. A liberalidade desses irmãos foi demonstrada ao mandarem Barnabé e Saulo a Jerusalém com uma contribuição para os irmãos judeus necessitados[11]. Era uma igreja rica em professores[12], dos quais Barnabé é primeiramente citado e Saulo, por último. A obra de uma evangelização mais ampla parecia estar em seus corações; pois “servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado”[13]. Jerusalém transformou-se num centro missionário pela força exterior da perseguição; Antioquia, pelo impulso interior do Espírito Santo.

O marco zero[14] da primeira viagem de Paulo foi Antioquia da Síria[15]. Barnabé e Marcos o acompanharam. Selêucia era uma cidade portuária, onde Paulo e seus companheiros embarcaram.

1.2 A Visita a Chipre

O primeiro campo escolhido foi Chipre (terra natal de Barnabé, conforme At 4.36), uma ilha que podia ser avistada do continente e era a terra natal de Barnabé. João Marcos, que voltara com eles de Jerusalém[16], acompanhou os missionários. Pregando em Salamina, a antiga capital grega, no extremo leste da ilha, passaram por Pafos, a capital Romana, no extremo oeste. Ali o governador Romano, Sérgio Paulo, tornou-se um crente. Sua conversão foi contrariada por um mágico chamado Barjesus. Nesse momento crítico Saulo tomou a frente. Consciente da inspiração divina e do poder apostólico, desmascarou o impostor com uma forte repreensão e anunciou uma cegueira instantânea como castigo divino por sua hipocrisia. A partir de então, Saulo foi chamado Paulo e se tornou o líder reconhecido.

1.3 A Viagem pela Ásia Menor

Os missionários a seguir voltam-se em direção à Ásia Menor. Por vários anos Paulo estivera na sua província natal, a Cilícia. As províncias agora visitadas ficavam ao norte e ao oeste da Cilícia.

No porto de Perge, João Marcos abandonou o trabalho e voltou para Jerusalém. Paulo e Barnabé apressaram-se atravessando os distritos montanhosos e acidentados, muitas vezes “em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios” (2 Coríntios 11:26). Visitaram Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe, sucessivamente, e voltaram fazendo o trajeto inverso. Em Antioquia, Paulo pregou na sinagoga seu primeiro sermão pormenorizado. Rejeitado pelo corpo de judeus, voltou-se para os gentios. “Primeiro do judeu e também do grego” (Romanos 1:16), — era essa a ordem em toda parte.

Em todos os lugares o trabalho deles foi rico em conversões e em sofrimentos. Em Listra, onde Paulo curou um aleijado, foram primeiramente adorados como deuses pelos pagãos supersticiosos e, depois, por instigação de judeus de Icônio, Paulo foi apedrejado e dado por morto. Regressando a Antioquia cheios de alegria, como descobridores diante do achado de um novo mundo, relataram tudo à igreja que os enviara.

Essa primeira viagem começou em 46 e terminou em 48 d.C. e está escrita no livro de Atos dos Apóstolos nos capítulos 13 e 14.

2. A segunda viagem – Atos 16—18:22

2.1 O Intervalo; Concílio de Jerusalém

Novas condições levantam novas perguntas. A igreja estava rapidamente superando seu estágio judaico. Mas os cristãos judeus estavam avançando vagarosamente para a sublime universalidade do evangelho.

A questão dos gentios entrarem na igreja por obediência ao evangelho fora estabelecida pelo caso de Cornélio. Mas não teriam de ser circuncidados e se tornarem judeus também? O cristianismo não era simplesmente uma edição nova e revisada do judaísmo? Sendo assim, alguns que chegaram a Antioquia vindos de Jerusalém levantaram uma contenda. A questão era grave; ameaçava a paz da igreja em Antioquia e afetava vitalmente os futuros trabalhos dos missionários. Paulo e Barnabé foram, então, mandados a Jerusalém levando a indagação. Num concílio, presidido por Tiago e com a participação de Pedro, Paulo e Barnabé, a questão foi resolvida em favor da liberdade. Se a decisão tivesse sido outra, o cristianismo teria morrido na incubadora.

2.2 A Discórdia entre Paulo e Barnabé

Pouco depois do concílio, Paulo propôs a Barnabé que visitassem novamente as igrejas que plantaram. Barnabé queria levar seu sobrinho, Marcos[17], de novo; mas Paulo perdera a confiança nele por ter ele desistido anteriormente.

A contenda foi tão acirrada que Paulo e Barnabé se separaram. É animador saber que, mais tarde, Marcos reconquistou a confiança de Paulo[18].

2.3 A Segunda Visita à Ásia Menor

Quando Paulo e Barnabé voltaram do concílio, Silas[19] os acompanhou. Paulo o escolheu como companheiro de viagem e, prosseguindo adiante pela Síria e Cilícia, fez a visita que tinha proposto às igrejas. Em Listra, encontrou um jovem discípulo chamado Timóteo, que, apesar de ser filho de um grego, fora educado religiosamente pela mãe judia, Eunice, e pela avó, Loíde[20].

Sem dúvida ele foi convertido por Paulo na primeira viagem, tendo testemunhado seu sofrimento em Listra. Um dos traços mais belos do caráter de Paulo era o poder de atrair fortemente jovens para sua vida de trabalho abnegado; e Timóteo tornou-se desde essa hora um dos cooperadores mais íntimos de Paulo.

Paulo, porém, tinha planos maiores do que visitar novamente as igrejas já plantadas; e assim ele se empenhou em novas conquistas na Frígia e na Galácia. E Deus tinha planos ainda maiores para ele; pois, cercando-o por todos os lados, conduziu-o até Trôade. Ali, Paulo teve uma visão, um homem macedônio que dizia: “Passa à Macedônia e ajuda-nos”[21]. E Paulo passou um tempo considerável em Trôade. Atrás dele estava a Ásia, com seu passado poderoso; adiante dele, a Europa; no extremo sul europeu, Roma, a personificação de um presente todo-poderoso; enquanto que estendendo-se pelo norte e oeste aglomeravam-se os povos bárbaros, que carregavam nos ombros o futuro ainda mais poderoso.

2.4. O Evangelho plantado na Europa; começo em Filipos

Em Trôade, Lucas juntou-se a Paulo, como demonstra o uso do termo “nós” na narrativa de Atos. Velejando até Neápolis, os missionários prosseguiram para Filipos, a principal cidade do distrito. Filipos era uma cidade militar, e não mercantilista, e continha, portanto, poucos judeus e nenhuma sinagoga.

Mas, aos sábados, havia uma reunião de oração de mulheres às margens do rio, onde Paulo compareceu. Nessa reunião de oração à beira do rio o cristianismo começou sua obra de regeneração na Europa e uma mulher comerciante chamada Lídia foi o primeiro fruto dessa obra. Os missionários logo ouviram uma propaganda indesejada nos gritos de uma jovem escrava endemoninhada nas ruas da cidade. Por expulsarem o demônio da menina, destruindo assim o ganha-pão dos seus donos, Paulo e Silas foram açoitados e encarcerados sob a acusação de introduzirem costumes pagãos. Seus cânticos noturnos e um terremoto que abriu as portas da prisão levaram o carcereiro pagão a ajoelhar-se perante eles; e antes que o dia clareasse ele e toda a sua casa tornaram-se crentes batizados, que se regozijavam em Deus.

2.5 De Filipos a Atenas

Deixando Lucas e, talvez, Timóteo para cuidarem da jovem igreja, viajaram sentido oeste passando pela Via Egnatia, a extensa estrada militar que ligava o mar Negro ao Adriático. Passando por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, a metrópole da Macedônia. Ali Paulo, “segundo o seu costume”[22], pregou Cristo na sinagoga vários sábados. Alguns judeus e uma multidão de gregos creram; mas os judeus incrédulos, segundo o seu costume, incitaram uma tempestade de perseguição, por conta da qual os missionários fugiram para a Beréia.

Mais nobres do que os tessalonicenses, os judeus bereianos confirmavam tudo nas Escrituras diariamente. O resultado foram inúmeros convertidos, tanto judeus como gregos. Com uma persistência digna de uma causa melhor, os judeus tessalonicenses seguiram Paulo até a Bereia. Descendo até o mar, Paulo embarcou para Atenas.

2.6 Paulo em Atenas

Atenas nunca desempenhou um papel tão destacável na história cristã como o fez na história clássica. Todavia, foi muito interessante o momento em que as glórias da antiga Atenas foram primeiramente confrontadas com as glórias mais espirituais da cruz. Paulo mandara um recado a Silas e Timóteo, para que se juntassem a ele em Atenas. Nesse ínterim, sua alma se contorcia com a espantosa idolatria ao redor, e ele anunciou a nova fé na sinagoga judaica e no Ágora, ou praça para reuniões públicas.

A curiosidade de certos filósofos foi aguçada, e conduziram Paulo ao Areópago, onde se sentava a elite mais venerável e culta de Atenas. Naquele local, tão rico em dados históricos, Paulo proferiu um de seus discursos mais magistrais, o segundo que chegou até nós. Existem contrastes gritantes entre o primeiro discurso[23], pregado na sinagoga de Antioquia para um público de judeus orgulhosos de sua história nacional e suas grandiosas profecias, e este segundo discurso, proferido no Areópago de Atenas a gregos cultos, na presença da arte mais magnífica de todos os tempos. Apesar da argumentação e da linha de raciocínio dos dois discursos diferirem, o fim era o mesmo — pregar Cristo e este crucificado, Cristo e a ressurreição.

Mas os atenienses cheios de cultura eram tão ligados às suas filosofias quanto os judeus, às suas tradições. Alguns, porém, foram ganhos para Cristo, entre os quais estavam Dionísio, um dos juízes do Areópago, e uma mulher chamada Dâmaris. Comparando-se Atos 17:15, 16 com 1 Tessalonicenses 3:1, fica evidente que Timóteo juntou-se novamente a Paulo em Atenas, e foi por ele enviado de volta a Tessalônica. Atenas foi uma das poucas cidades em que Paulo não sofreu perseguição; mas foi um campo infrutífero, de modo que logo saiu dali, indo para Corinto.

2.7. A Longa permanência de Paulo em Corinto

No tempo de Paulo, Atenas era a São Paulo e Corinto, o Rio de Janeiro da Grécia. Paulo entrou nessa grande metrópole comercial com temor e grande tremor[24]. Estava deprimido com o relativo fracasso em Atenas. Estava sem dinheiro e sozinho. Foi obrigado a recorrer ao seu ofício de fazedor de tendas para suprir o pão de cada dia. Mas nunca demorava muito para Paulo achar e fazer novas amizades.

Logo descobriu outros que trabalhavam no mesmo ofício, Áquila e Priscila, que logo se tornaram discípulos, se já não eram. Trabalhava com eles durante a semana e, aos sábados, pregava na sinagoga. Com a chegada de Silas e Timóteo, portando contribuições de Filipos, suas mãos ficaram livres e por um ano e meio deu-se por inteiro ao trabalho de evangelização de maneira poderosa[25]. Logo depois da chegada de Timóteo, escreveu a Primeira Epístola aos Tessalonicenses[26] e um tempo depois, a segunda Epístola. Essas foram as primeiras Epístolas de Paulo que chegaram até nós.

2.8 A Volta para Antioquia

Cruzando o Istmo de Corinto até Cencréia com Áquila e Priscila, Paulo embarcou para Éfeso. Ali sua pregação na sinagoga cativou de tal maneira os ouvintes que pediram que ele ficasse; mas, prometendo que voltaria, apressou-se em ir para Cesareia, e de lá para Antioquia. Assim terminou a segunda viagem de Paulo, mais longa que a primeira. As atenções voltariam-se então para a Europa, centralizando-se finalmente em Roma.

3. A terceira viagem – Atos 18:23—21:26

3.1 Os Três anos de Paulo em Éfeso

Depois de ficar um tempo em Antioquia, Paulo despediu-se finalmente daquela grande igreja missionária. O próximo ponto de ataque era Éfeso. Foi esse o centro das atenções de sua terceira viagem. Foi uma boa escolha, pois o que Antioquia era para a Síria, Corinto para a Grécia, Roma, para a Itália e o oeste, Éfeso era para a vida agitada da Ásia Menor ocidental.

A caminho de Éfeso, Paulo fez uma rápida visita às cidades do itinerário anterior, na região da Galácia e Frígia. Deve-se lembrar que na volta de Corinto a Antioquia ele ficara em Éfeso o suficiente para sentir a disposição do público, deixando ali Áquila e Priscila. Na sua ausência, o trabalho de preparação estava sendo levado avante. Um judeu eloquente, natural de Alexandria, chamado Apolo, chegara a Éfeso, pregando com grande poder o batismo de João. Áquila e Priscila o instruíram com mais exatidão no evangelho.

Apolo, então, foi até Corinto e levou a cabo a obra que Paulo iniciara ali com tanto êxito[27]. Paulo, por sua vez, pregou na sinagoga de Éfeso por três meses, desde a sua chegada. Finalmente foi compelido a desistir dos judeus e reunir-se com os cristãos numa comunidade à parte. Por dois anos, pregou diariamente na escola de Tirano, atingindo multidões de judeus e gregos de todas as partes da província da Ásia. O efeito da pregação de Paulo foi tamanho que o comércio de estatuetas de prata da deusa Diana despencou. Um motim de artífices pôs a vida de Paulo em perigo.

Durante sua longa estada em Éfeso, ele certamente visitou Corinto[28]. Também escreveu a primeira Epístola aos Coríntios[29]. Eles já haviam se correspondido mutuamente[30], mas nenhuma dessas cartas anteriores chegou até nós.

3.2. A Segunda viagem pela Macedônia e Acaia

Atravessando o mar Egeu mais uma vez, Paulo fez uma segunda viagem, da qual temos alguns detalhes. Comparando 2 Coríntios 1:8–10 e 2:12, 13 com Atos 20:2, fica claro que a segunda Epístola aos Coríntios foi escrita em algum momento dessa viagem pela Macedônia.

Chegando a Corinto, ali permaneceu três meses. Nesse período, escreveu a Epístola aos Romanos[31], que provavelmente foi entregue por Febe de Cencréia[32]. Em algum momento dessa terceira viagem ele também escreveu a Epístola aos Gálatas, em Corinto, ou talvez, antes, em Éfeso.

3.3 A Arrecadação

Paulo ansiava por ver derrubada a meia parede que separa judeus e gentios. Era esse o objetivo final oculto em seu coração. Dedicou a vida inteira a essa causa. Um meio de conseguir isso foi uma arrecadação em dinheiro, levantada entre os gentios, para irmãos judeus necessitados de Jerusalém. Além de várias passagens breves, os capítulos oito e nove, inteiros, de 2 Coríntios referem-se a essa coleta.

Ela foi levantada na Galácia, Macedônia e Acaia[33]; no primeiro dia da semana[34] e, além dos apelos pessoais ou por carta, Paulo usou Tito e outros para coletar e despachar o dinheiro[35].

3.4 A viagem de volta

A intenção de Paulo era ir de navio de Corinto diretamente para a Síria; mas uma conspiração inexplicável de judeus o levou a desviar a rota pela Macedônia. Um agradável grupo de amigos, velhos e novos, juntou-se a ele na Macedônia[36], entre os quais estavam Timóteo e Lucas — este provavelmente permanecera em Filipos desde a primeira visita ali (compare o uso de “eles” e “nós” em Atos 16:10, 13, 40; 20:6). O grupo passou uma semana em Trôade e reuniu-se com os discípulos no primeiro dia da semana para partir o pão[37].

Esta passagem é importante para mostrar:

  1. o dia que os discípulos guardavam;
  2. a maneira como guardavam esse dia.

Foi aqui que Paulo ressuscitou Êutico, que caíra do parapeito da janela enquanto o apóstolo pregava. Apressando-se para chegar a Jerusalém antes do Pentecostes, Paulo não parou em Éfeso, mas encontrou-se com os presbíteros efésios da igreja de Mileto, ocasião em que proferiu-lhes um dos mais belos de seus discursos.

Uma amostra interessante da rápida propagação do evangelho reside no fato de encontrarem discípulos aonde quer que fossem: em Trôade, Mileto, Tiro, Ptolemaida, onde a viagem por mar terminou, e em Césaréia. Ali encontramos o velho amigo Filipe[38], que tinha quatro filhas que ensinavam por inspiração. Tanto em Tiro como em Césaréia, Paulo foi avisado acerca dos perigos que o aguardavam em Jerusalém; mas nada desviaria do firme propósito de levar a Jerusalém a oferta de paz dos irmãos gentios aos judeus, qual estivera juntando havia quatro anos.

3.5 A Recepção para Paulo em Jerusalém

Fazia anos que Paulo fora convertido. Fazia onze anos que se ocupava disseminando o evangelho em grandes centros populacionais gentios. Visitara Jerusalém apressadamente duas ou três vezes. Anos mais tarde, o imperador Tito Vespasiano[39] estaria demolindo seus muros. Mais uma vez Paulo estava lá, agora com uma oferta dupla — as doações dos cristãos gentios e o evangelho da graça de Deus, que inspirara a oferta.

Como os cristãos judeus receberiam as doações? Os líderes da igreja de Jerusalém, orientados por Tiago, deram-lhe cordiais boas-vindas. Mas Paulo também foi difamado ali. Visando atenuar o preconceito, ele aceitou o conselho de Tiago e realizou determinadas cerimônias relacionadas a um voto. Lucas não relatou a repercussão disso na igreja. Pelo menos com os judeus incrédulos, a repercussão de tal ato não foi boa, e Paulo foi preso no templo por um grupo, assim como fizera com Estêvão[40].

4. A quarta viagem missionária

4.1 Prisão de Paulo em Roma

Em Jerusalém, Paulo é preso no templo[41], ele se defende diante do povo e também do sinédrio[42]. De Jerusalém é levado para Césaréia, onde é apresentado a Félix[43], Festo[44] (que presidiu o julgamento em que Paulo apresentou sua defesa perante Herodes Agripa II[45]) e Agripa II.

4.2 Naufrágio em na ilha de Malta

Sendo cidadão Romano, Paulo apelou para César[46]; agora, na condição de prisioneiro Romano, partiu de Césaréia para Roma[47]. Nesta viagem o navio naufragou em Malta[48]. Nesta ilha, Paulo foi picado por uma serpente enquanto buscava lenha para uma fogueira; ao ser picado, os habitantes pensavam que realmente se tratava de um criminoso perigoso e que a picada da serpente era uma ação dos deuses contra ele. No entanto, nada acontece a Paulo, o veneno da serpente não lhe causa nada[49]

Não sendo morto pelo veneno da serpente, os habitantes de Malta entendem que Paulo é na verdade um deus. Paulo visita a casa de Público, que era um dos chefes da ilha. O pai de Público estava muito doente, mas se cura com a oração de Paulo[50]. A partir deste episódio muitos doentes procuram Paulo para serem também curados.

4.3 Viagem de Paulo a Roma

Paulo esteve ali durante três meses[51] e continuou sua viagem a Roma; segundo a tradição, a chegada à capital do Império foi em 62 d.C. A prisão era domiciliar, Paulo viveu em uma casa alugada, mas vigiada por um soldado romano, deste modo ele poderia receber visitas e muitas pessoas o procuravam para ouvir a pregação do apóstolo.

Apesar de prisioneiro em Roma este período foi muito produtivo, não apenas pela oportunidade de pregar o evangelho aos irmão de Roma, mas também pelas cartas escritas durante sua prisão. Da capital do Império, escreveu as seguintes cartas:

  • Efésios, Colossenses e Filemom, em 62 d.C.
  • Filipenses, em 63 d.C.
  • 1 Timóteo e a epístola a Tito em 64 d.C., escreveu da Macedônia
  • 2 Timóteo (entre 67 e 68), após o incêndio de Roma, quando estava preso pela segunda vez, durante a sua condicional.

Segundo a tradição, Paulo foi libertado e realizou trabalhos missionários por mais 3 anos. Foi preso novamente e executado em Roma, provavelmente em 67 d.C., no tempo de imperador Nero[52].


Referências Bibliográficas

Dicionário da Bíblia de Almeida – 2a Edição © 1999 Sociedade Bíblica do Brasil

DEAN, B.S. As Viagens Missionárias de Paulo entre os Gentios, 45–58 d.C.; A verdade para Hoje ©Copyright 2003, 2006

Bíblia de Estudos de Genebra 2a Edição. Revisada e Ampliada – Editora Cultura Cristã 2009

Douglas, J. D, Novo Dicionário da Bíblica, Editora Nova Vida, São Paulo 2006

Dicionário da Bíblia de Estudo NTLH; Sociedade Bíblica do Brasil, Ed. Sbb 2005-2009

SHEDD, Russell P.; Bíblia Shedd, Editora Nova Vida, 2007

BRUCE, F. F., Paulo: o apóstolo da graça – sua vida, castas e teologia. Shedd Publicações, 2003.


[1] Atos 13:9

[2] Filipenses 3:5

[3] Atos 23:6

[4] Cidadão romano: Havia diferenciação entres os cidadãos genuinamente romanos e os moradores nascidos nas cidades conquistadas, chamados de provincianos.

[5] Atos 22.3; 26.4-5

[6] Atos 23:16

[7] Atos 23:16-20

[8] Atos 8:3

[9] Atos 9

[10] Saulo é o nome Hebraico, a partir de Atos 13.13 ele é chamado de Paulo.

[11] Atos 11:27–30

[12] Atos 13:1

[13] Atos 13:2

[14] Marco zero: Expressão utilizada para determinar o primeiro de uma expedição ou ação de qualquer natureza.

[15] At 13.1-4

[16] Atos 12:25

[17] Colossenses 4:10

[18] 2 Timóteo 4:11

[19] Silas: Cristão de Jerusalém que acompanhou Paulo em sua segunda viagem missionária. Provavelmente seja o Silvano mencionado em 1Pe 5.12; v. 2Co 1.19; 1Ts 1.1 e At 15.22-40; 16.19—17.15; 18.5.

[20] 2 Timóteo 1:5

[21]  Atos 16:9

[22]  Atos 17:2

[23] Atos 13:16–41

[24] 1 Coríntios 2:3

[25] cf. Atos 18:5, 9, 10; Filipenses 4:15

[26] 1 Tessalonicenses 3:6

[27] cf. Atos 18:27; 1 Coríntios 3:4–7

[28] 2 Coríntios 12:14; 13:1

[29] cf. 1 Coríntios 16:5–9; Atos 19:20, 21; 20:1

[30] 1 Corintios 5:9; 7:1

[31] cf. Romanos 15:25,26; Atos 20:3,4; 24:17

[32] Romanos 16:1

[33] cf. 1 Coríntios 16:1–3; Gálatas 2:10; Romanos 15:25, 26; Atos 24:17

[34] 1 Coríntios 16:1

[35] 2 Coríntios 8:6, 18, 23; 1 Coríntios 16:3

[36] Atos 20:4–6

[37] Atos 20:7

[38] cf. Atos 8:40

[39] Tito Flávio Vespasiano foi um imperador de Roma.

[40] Atos 21.1-8,27-36

[41] Atos 21:27

[42] Atos 21:40; 22:2; 22:30  e 23.10

[43] Félix era governador Romano da Judéia, de 52 a 60 d.C

[44] Governador que sucedeu a Félix na Judéia, de 60 a 62 d.C. (Atos 24.27)

[45] Atos 24.27—26.32      34           Herodes Agripa II governou o mesmo território que Filipe havia governado (50-70 d.C.)

[46] Atos 25:11 e 26:32

[47] Atos 27:1-2

[48] Malta: Ilha do mar Mediterrâneo, situada 100 km ao sul da Sicília

[49] Marcos 16:18 “pegarão em serpentes; e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal alguns….” NVI

[50] Atos 28:9-10

[51] Atos 28.1-11

[52] Nero: Imperador que governou o Império Romano de 54 a 68 d.C. Matou muitos cristãos, acusando-os de terem incendiado Roma em 64 d.C. Segundo a tradição, os apóstolos Pedro e Paulo foram mortos durante o seu governo. Nero é o César mencionado em Atos 25.11 e Filipenses 4.22.

Por: Ricardo Moreira Braz do Nascimento

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