Pastores populistas são uma maldição para a igreja

Existem pastores muito conhecidos e populares em nossas igrejas, e nem estou falando dos famosos pregadores da TV; me refiro àqueles pregadores conhecidos localmente, que muitas vezes não tem projeção nacional, mas a agenda está sempre cheia. A generalização é sempre injusta, mas inevitável algumas vezes, e ao mesmo tempo tratar de especificidades deixará o artigo muito longo; mas acredito que este artigo não será tão generalizado assim.

Em nenhum lugar da bíblia está escrito, “construam templos e chamem as pessoas para o congresso, façam campanhas e cultos de libertação”. Pelo contrário a bíblia diz “Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura.” (Marcos 16:15), nem é preciso uma profunda análise teológica para determinar que o maior papel do cristão é pregar o evangelho e propagar a mensagem de Cristo.

Mas o que fazer com aqueles que já se converteram? Agora entra o papel da igreja local, com a missão de congregar os salvos, instruir nos caminhos do evangelho de Cristo e ao mesmo tempo lutar para que os convertidos não desistam da caminhada cristã, pois sabemos das dificuldades e muitos se desviam do evangelho. Em nenhum lugar da bíblia está escrito que precisamos fundar igrejas locais, denominações, ter pastores (ou lideres) formais, etc. Porem, na prática, precisamos de um lugar para reunir com certa periodicidade e alguém para organizar isto. Logo surgem as igrejas locais, devidamente construídas, registradas, com seus respectivos líderes, e tudo isto financiado por seus membros.

Se meu artigo terminasse aqui já estaria bem claro o papel de cada pastor em sua respectiva igreja, restando a ele cumprir este papel pelo qual foi chamado por Deus, e que está sendo devidamente remunerado pela igreja. E aqui está minha crítica à postura de alguns pastores, que aparentemente não estão cientes da sua responsabilidade para com a igreja pela qual foi designado.

Quando Paulo escreve aos Colossenses, logo no primeiro capítulo é explicado o objetivo dele para com a igreja. “Por esta razão, nós também, desde o dia em que ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; para que possais andar de maneira digna do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus” (Colossenses 1:9-10). As preocupações do apóstolo para com a igreja podem ser resumidas e são praticamente auto explicáveis simplesmente destacando algumas palavras como por exemplo: “sabedoria”, “boa obra”, “andar de maneira digna”, “crescendo no conhecimento de Deus”.

No mesmo capítulo Paulo conclui que o objetivo dele é apresentar os crentes de colossos perfeitos (ou “completos”, em algumas traduções) a Cristo; “o qual nós anunciamos, admoestando a todo homem, e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo” (Colossenses 1:28). Paulo pregava com a intenção de converter o maior número possível, mas uma vez convertidos, estes novos crentes não eram abandonados (espiritualmente falando), pelo contrário eram acompanhados, ensinados, supervisionados, cuidados. A preocupação do apóstolo é que estes crentes deveriam ser aprimorados pela força do evangelho de Cristo, de modo que naquele grande dia, o dia de encontrar com Cristo na glória, estivessem todos perfeitos em Cristo, sem mancha alguma, como os noivos devem estar no dia do seu casamento.

Infelizmente o que encontramos em muitas igrejas, são pastores que não se dão conta da responsabilidade que possuem quanto a vida espiritual daqueles que estão congregados em suas igrejas. A preocupação com a saúde espiritual é mínima, o cuidado com o caráter de cada crente é quase inexistente e ao invés de servir a igreja com o dom e a posição que Deus deu, estes pastores são servidos por ela. É papel de cada pastor, de cada pregador, ensinar como andar nos caminhos de Cristo, andar conforme ensina as Escrituras Sagradas. Para que a igreja seja saudável espiritualmente, com crentes preparados para os dias de tribulação e confiando em Cristo, tendo fé mesmo contra as expectativas que nem sempre são boas.

Mas ao contrário o que temos, são igrejas em que os pastores que se preocupam apenas com a lotação, com igrejas cheias, com pessoas dispostas a ofertar muito dinheiro, nesta ou naquela reunião. Para isto fazem todo tipo de arranjo na interpretação da bíblia acontece, sempre com o mesmo objetivo, a saber falar o que a plateia quer ouvir; garantindo os aplausos e a presença no próximo culto. Digo culto porque este é o nome da reunião, mas me recuso a dizer que tal reunião é de culto a Deus, mas sim de culto ao ego, para não dizer culto ao dinheiro. A preocupação com o valor da arrecadação é tão grande que todo tipo de teatro, testemunho, promessas de milagres e até mesmo a necessidade de várias vezes, pedir diferentes ofertas, na mesma reunião.

Se ao ler este artigo você identificou sua própria igreja, saia enquanto é tempo. Não fui chamado por Deus para ser politicamente correto, mas para ser “biblicamente correto” e já acabou o tempo de compactuar com graves erros teológicos e digo até irresponsabilidades quanto à Bíblia Sagrada. O chamado de cada pastor, de cada pregador, de cada crente é pregar o evangelho de Cristo e ajudar aos demais a se manter santos e fieis a Deus. Aquele lugar que chamamos de igreja não pode ser feito palco para o ego de alguns e nem fonte de renda fácil, às custas de pessoas simples e que muitas vezes são enganadas por lobos em pele (ou terno) de pastores.

Precisamo dizer chega àqueles que se dizem pastores, mas em nada pastoreiam as ovelhas do Senhor Jesus Cristo, mas são, como diz Judas “… pastores que só cuidam de si mesmos. São nuvens sem água, impelidas pelo vento; árvores de outono, sem frutos, duas vezes mortas, arrancadas pela raiz. São ondas bravias do mar, espumando seus próprios atos vergonhosos; estrelas errantes, para as quais estão reservadas para sempre as mais densas trevas.” (Judas 12,13).

Por: Ricardo Moreira Braz do Nascimento

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