Sobre o divórcio

É incrível como o assunto divórcio é debatido na igreja, mas curiosamente o assunto não é tratado ou sequer analisado em algum grau de profundidade ou extensão. Em geral são dois extremos, sendo o primeiro daqueles que acham que divórcio deve ser tratado com a mesma naturalidade de quem pinta o cabelo; o outro extremo é aquele que simplesmente “esfrega” versículo bíblico nos outros e pronto.

Sabemos que a bíblia nunca será a favor do divórcio, mas daí condenar ou excluir um divorciado!? Será mesmo o caminho? Deus abomina diversas coisas e aparentemente somos implacáveis apenas com homossexualidade e divórcio. A bíblia também é contra mentira, roubo e até maus tratos com animais (provérbios 12:10). Mas repito que, curiosa e aparentemente, apenas o divórcio e homossexualidade são tratados com extrema dureza.

Existem casamentos com casos de abandono, violência física, violência mental (ameças por exemplo), entre tantas coisas que infelizmente, apenas o divórcio parece colocar fim na situação. Não quero fazer apologia ao divórcio, mas considerar que existem construções tão avariadas que a única solução é a demolição. Deus ama o casamento e odeia o divórcio, mas será mesmo que Deus prefere um casamento de fachada do que um divórcio?

E por que nunca discutirmos como estamos conduzindo nosso processo de casamento, para não precisar tratar do divórcio? Por exemplo:

  1. Ninguém fala dos pais de crianças que ficam “casando” e “namorando” os filhos com todo mundo. Uma criança de 5 anos, e o pai (ou mãe) começa : “Hãin… minha filha vai namorar seu filho“… “Hãin… que bonitinho já está pegando na mão“. Mas quando chega aos 14 a criança já quer namorar e os pais agora mudam o discurso para: “Hãin tem que formar, pós-graduar, fazer doutorado para depois namorar” … “hãin tem que ter emprego, passar no concurso e se tornar CEO de multi nacional para depois namorar“. E porque a criança quer namorar? Apesar de ainda não uma pessoa adulta a criança está crescendo e, além disto a criança está há 10 anos sendo incentivada a “namorar”.
  2. Toda pregação que se faz para jovem e adolescente é “namoro e sexo”, parece que não existe outro tema para se falar com esta faixa etária. Já parou para pensar que nós (pastores, pregadores) ficamos o tempo falando de namoro e sexo com adolescente? Tem certeza que não existe outro assunto que não seja namoro e ter relações sexuais? Será que não somos nós os grandes disseminadores do assunto? Talvez sejam os pregadores e pastores quem mais desperta a curiosidade dos jovens e adolescentes para o sexo.
  3. Para alguns, os jovens que estão namorando tem que casar e pronto! Não interessa a condição financeira, emocional, maturidade, nada… Namorou há 30 dias já tem que marcar o casamento. Um casamento realizado nestas condições, será um casamento sem estrutura alguma e, possivelmente fadado ao divórcio.
  4. O conceito de “pessoa espiritual” também é um problema. Muitas vezes só de ver alguém com boa “performance” na igreja, já entendemos que é a melhor pessoa do mundo para se casar. Mas alguém cantar, tocar ou pregar bem não faz desta pessoa um marido ou esposa para você.
  5. Outro grande problema é nosso conceito de “santidade” no casamento. Nossa tradição brasileira, Católica Romana, acabou nos ensinando que o sexo por definição é pecado, tanto é que o padre tem que ser celibatário para ser santo o bastante. Mas a igreja evangélica não entende desta forma, a intimidade sexual foi dada por Deus e, dentro dos padrões bíblicos é santo e deve ser praticado no casamento. A falta deste diálogo é a causa de muitos casamentos frios e frustrados, o que faz o divórcio bater à porta do casal.

E depois disto, e tantas coisas que não foram levantadas aqui, lá estamos nós reagindo ao fantasma do divórcio. Ou tratando com a mesma naturalidade de quem muda o corte de cabelo ou “esfregando versículos na cara” dos casais e dizendo que é pecado divorciar.

E a culpa é minha e sua, dos pastores e pregadores que ficam contando piadinha e fazendo gracinhas na hora da pregação, mas não tratam o problema de verdade.

Por: Ricardo Moreira Braz do Nascimento

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