Velha Aliança & Nova Aliança

Quando João, no início de seu Evangelho, diz: “A lei foi dada por meio de Moisés, mas o amor e a verdade vie­ram por meio de Jesus Cristo” (1.17), ele quis deixar bem clara a diferença entre os dois modos de se relacionar
com Deus: antes de Cristo (a velha aliança) e depois da morte e ressurreição de Cristo (a nova aliança).

Não se trata exatamente da diferença entre Antigo e Novo Testamento na Bíblia, embora tenha alguma relação. O ponto principal, que causa toda a diferença entre as duas alianças, é a morte de Jesus na cruz, e o que ela significa para nós e para Deus. Antes de Jesus morrer, Deus revelou sua lei para governar a vida humana, até que viesse o Mes­sias. Isso era necessário por causa do grave problema dos seres humanos: o pecado.

Com a vinda do Messias e seu sacrifício pelos pecados da humanidade, a fé em Jesus assume o lugar da obediência à lei, e estão abertas todas as portas para um relacionamento direto e amoroso entre Deus e nós, como pai e filho(a). Infelizmente muitos crentes em Cristo sofrem a vida frustrada de quem ainda procura seguir a velha aliança, não conseguindo crer ou não percebendo o grande alcance da morte de Jesus na cruz, e assim não desfrutam plenamente da nova aliança, inaugurada pelo seu sangue, onde até os sofrimentos ganham outro significado. Resumidamente, as principais diferenças são:

Velha aliança:

  1. O comportamento humano (obediência ou desobediência aos mandamentos de Deus) determina receber­mos a bênção ou o castigo nesta vida, segundo a lei de Deus (Dt 28).
  2. A motivação básica para a conduta humana é o temor a Deus (medo, conforme Êx 20.18-20, no episódio da entrega dos 10 Mandamentos). O dever de obediência à Lei domina o coração e a prática, mas sempre com muitas falhas.
  3. Garantia da aliança: sangue de animais, sinalizando que a morte produzida pelo pecado foi “paga”, produzin­do purificação provisória nos pecadores (Êx 24.4-8).
  4. Administração do pecado: sacrifícios de animais (Lv 1-7) e separação entre o ser humano e Deus, através de átrios e cortinas do Templo e do uso de sacerdotes e levitas como intermediários. Em relação aos demais humanos, os membros do povo de Deus deviam cuidar para não se misturar com outros povos e não se con­taminar com “impurezas”, e purificar-se frequentemente através de lavagens cerimoniais.
  5. Modelo para vida: o servo (=escravo), que se esforça para agradar ao seu senhor em tudo o que faz, e se
    preocupa especialmente em não desagradá-lo, para não ser castigado.

Nova aliança:

  1. O justo viverá da fé” (Rm 1.17), sem depender daquilo que consegue fazer — as obras (Rm 1-5). Trata-se da fé especificamente em Jesus, na sua morte na cruz.
  2. A motivação básica: o amor de Deus (Rm 5.8; 1Jo 4.18) “o amor lança fora o medo” — paradigma da substitui­ção da velha aliança pela nova. Incapazes de dar, precisamos primeiramente receber (“Nós amamos porque ele nos amou primeiro”: 1Jo 4.19).
  3. Garantia da aliança: o sangue (a morte) de Cristo (Mt 26.28), conforme relembrado na Santa Ceia. A morte do Filho de Deus em lugar dos pecadores.
  4. Administração dos pecados: pagos, eternamente, na cruz de Cristo e esquecidos. O s pecados da humanidade foram a causa última da morte de Jesus, trazendo perdão e vida para os que acreditam, como foi tipificado pela cobra de bronze, durante a peregrinação pelo deserto (Jo 3.14-15). Deus agora é totalmente acessível (a cortina do Templo se rasgou no instante da morte de Jesus), sem intermediários, tornando-se Pai de quem crê em Jesus (Jo 1.12; Cl 2.13-14; 1Jo 2.2; Hb 4.14-16). Em relação aos demais humanos há liberdade e flexi­bilidade no contato — o que pede um aprendizado de sabedoria — uma vez que a fonte das impurezas não está fora, mas dentro de nós. Em vez de tentar não errar, podemos nos dedicar a tentar acertar.
  5. Modelo para vida: filho, e não mais escravo; amigo de Deus (Jo 15.15), sem aquele temor (Rm 8.15-17).

Para a vida nesta terra

Atualmente experimentamos a vida simultânea de duas naturezas na mesma pessoa: a nova já iniciada, e a
velha que ainda não cessou totalmente.

  1. A nova aliança está vigorando plenamente. O Espírito Santo habita o coração do crente, e não para seu traba­lho. Nós, apesar disso, continuamos vivos também quanto ao “velho homem”, pecadores, até nossa ressurrei­ção. Ao mesmo tempo, pelos méritos de Cristo, somos considerados santos e sem pecado.
  2. Base de paz com Deus. Deus não está mais cobrando que primeiro melhoremos para então nos aceitar. Ele confia na obra de Cristo, e nos convida a confiar também: “justificados pela fé, temos paz com Deus”
    (Rm 5.1-5, inclusive nos sofrimentos).
  3. Atitude de esperar os céus, com a volta de Cristo (Jo 14.1-3).
  4. A santificação na nova aliança acontece da mesma forma, pela fé, na união com a morte e ressurreição de Jesus (Fp 3.4-13 ilustra a diferença nas duas alianças).
  5. Ética nesta vida: Tg 1.25; 2.12-13: a “lei da liberdade” (em oposição ao “dever”), um terreno fértil para o cres­cimento do amor e da justiça em nossos corações.

Um texto que descreve muito bem a diferença entre as duas alianças está ainda no Antigo Testamento: Jr 31.31-34 e é comentado no Novo, em Hb 10.11-19.

Fonte: Bíblia de Estudos Conselheira, Sociedade Bíblica do Brasil

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