Igrejas pretas não são o futuro da igreja

Existem muitos tipos de igrejas, elas se diferenciam não apenas pelo nome e estrutura física, mas pela liturgia do culto, cargos, atribuições eclesiásticas, e até ênfases teológicas. Não é raro que algum movimento evangélico se declare ser o “futuro do evangelho”. Me lembro bem no final dos anos 90 de uma música que dizia: “igreja em célula sob domínio dos doze é a visão de Deus para a última geração” (não me lembro o nome da banda ou cantor), e além desta havia muitas outas músicas com a fórmula “última geração” entre as frases.

Resumindo sempre tem alguém alegando ser a “última revelação”, a “última visão”, e o mais curioso é que eles não passam no teste do tempo, o tempo passa e eles também. Eu não sou tão velho assim, mas digamos que já alistei nas forças armadas há muitas semanas. Depois de ver as “comunidades” chegando e indo embora, depois vieram as igrejas em células, e hoje, a força do G12 praticamente acabou. Os Neopentecostais também tiveram seu espaço, mas agora possuem um prestígio mínimo. E de repente vejo igrejas comprando tinta preta no atacado e, se intitulando “church de não sei o que” ou “não sei o que church“.

Estas “igrejas pretas”, as churchs, estão aparecendo para todos os lados e muitos estão se perguntando se esta é uma tendência que durará. Pela minha experiência, digo sem dúvidas que NÃO. As grande denominações que conhecemos são fruto de missões, alimentados por um avivamento e reflexão teológica consistente. Pensando no Brasil as grandes denominações de hoje como Batistas, Presbiterianas, Assembleia de Deus (e não apenas) cresceram com um forte trabalho missionário, conquistando os crentes um a um, e hoje são as igrejas que todos conhecemos, respeitamos e certamente existe uma congregação perto de você.

Outras igrejas “nascem” por vários motivos, e nem todos os motivos são nobres. Fico pensando onde está a glória de Deus, e como será o culto oferecido em igrejas que sugerem após brigas entre os líderes e cada um abre “a sua”. Ou igrejas que nasceram porque o líder possui algum talento como cantar ou pregar, e então acredita que isto os qualifica para fundar um ministério. Não podemos ignorar aqueles que fundam campos (ou ministérios) pensando na renda financeira da igreja.

Igrejas assim crescem a partir do método de “pescar” membros dos outros, ou você realmente pensou que igrejas que já foram fundadas em templos enormes, e com a reunião de inauguração lotada, são frutos do evangelismo da semana passada? E estas igrejas precisam estar cheias a todo custo, afinal quanto mais cheia a reunião, melhor a imagem de ungida e aceita por Deus, e isto quando tudo não se resume a curtidas e seguidores na internet. Eu sei de uma empresa que oferece curso de como impulsionar o seu ministério digital (não vou entrar em detalhes).

Quando alguém me diz que tais denominações estão cheias, eu comparo com um restaurante novo em que todos vão experimentar o tempero; no entanto logo voltam para seu restaurante antigo. Não é porque um supermercado novo está lotado na semana da inauguração, que ficará assim de agora em diante.

Igrejas que não são fruto de avivamento, missões, profundo e relevante posicionamento bíblico, são igrejas que não vão sobreviver ao tempo. Falando especificamente nas igrejas pretas, na minha avaliação elas não passam da simples tentativa de “ganhar os jovens” através de paredes pretas, maquinas de fumaça, luzes, etc. Ou será que os mais idosos preferem as igrejas pretas com luzes coloridas? Este clima de “boate gospel” agrada a qual faixa etária?

Eu vi as “Comunidades” nascerem nos anos 80 e se tornarem fortes nos anos 90. As comunidades apostaram nas músicas avivadas, com ritmos atuais, com palmas e passinhos simples que qualquer um poderia acompanhar. Elas também se negavam a se intitular igrejas e usavam o nome “comunidade”; além disto possuíam uma liderança simples, com poucas exigências para assumir cargos eclesiásticos além de muita oportunidade aos mais jovens. Mas cadê elas? O tempo levou.

Eu vi as Igrejas em Células nascerem nos anos 90, ganharem força na década de 2000-2010. E de repente todos falavam no “Encontro Tremendo”, no voto de silêncio, no discípulo, células, líderes de células, no “sou dos 12 do fulano”, “sou a segunda geração dos 12 do ciclano”, afirmando que se Jesus tinha 12 discípulos o certo é ter grupo de 12 para todo lado. E lá vamos nós para a “ultima visão de Deus” ou na “visão de Deus para os últimos dias”.  O tempo passou, o movimento foi perdendo força e agora pouco ou  nada falamos sobre as igrejas em células?

Eu também vi muitos outros movimentos como a Confissão Positiva, Teologia da Prosperidade, Movimento Neo Apostólico, Adoração Extravagante, Teologia da Libertação, Igreja sem Paredes, Desigrejados…. Mas vejam que todos estes movimentos vão e vem e nada muda na igreja corpo de Cristo.

Enquanto isto as nossas clássicas igrejas, estavam antes delas, aqui estão, e continuarão existindo com sua marca muito bem registrada na história, e mesmo após décadas de existência continua a existir e crescer, fazendo discípulos para Cristo e contribuindo para a expansão da Igreja Corpo de Cristo.

E você que está pensando em se mudar para uma igreja “jovem”, pense nisto!

Por: Ricardo Moreira Braz do Nascimento

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