Maria, a mãe de Jesus! O que sabemos sobre ela?

Talvez pela veneração católica à Virgem Maria, ou simplesmente por não ser um personagem relevante no livro de Atos e história da igreja primitiva, hoje a igreja evangélica praticamente ignora a história e relevância desta grande mulher nas Escrituras.

Pensando nisso, decidi fazer este breve ensaio contendo as informações bíblicas sobre Maria, a mãe de Jesus. Assim podemos aprender sobre a história daquela que foi escolhida por Deus para ser a mãe humana do nosso salvador. Então vamos lá?

Vamos começar em Lucas 1:26-27. No sexto mês após a concepção de João Batista foi enviado o anjo Gabriel a Nazaré, cidade (ou aldeia) da Galileia, a uma virgem chamada Maria, que ali morava, desposada com um carpinteiro de nome José, reconhecido como descendente de Davi.

A bíblia não diz que a Maria virgem também fosse, porém muitos acreditam que também pertencia à mesma linhagem, porque, diz o anjo, que o filho que ia nascer dela receberia o “trono de seu pai Davi”, e que “foi feito da linhagem de Davi, segundo a carne” (Romanos 1.3; 2 Timóteo 2:8 e Atos 2:30). No entanto quando Lucas traz a linhagem de, cita que Jesus era filho de José (Lucas 3:23) e, Mateus quando traz a genealogia de Jesus, que passa por Davi e chega até José, tendo inclusive o cuidado de dizer “José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo” (Mateus 1:16).

Existe uma tradição que defende que a genealogia de Cristo, como descrito em Lucas é pelo lado materno, vindo de Eli, que segundo esta tradição (não bíblica) supõe ser o pai de Maria. Mas independente de todo este impasse teológico o que realmente importa é que o anjo Gabriel saudou a Maria, dizendo: “Salve! Agraciada; o Senhor é contigo”, anunciando-lhe  que ela teria um filho a quem deveria chamar Jesus.

Este será grande, será chamado Filho do Altíssimo; Deus o Senhor lhe dará o trono de Davi, seu pai, ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim” Lucas 1.32,33.

Quando Maria perguntou como se faria isso, “pois eu sou virgem!”, disse ela (Lucas 1:34 NTLH) e o anjo respondeu: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus” (Lucas 1:35). Estas declarações revelaram que Maria foi escolhida para ser a mãe do Messias e ela, humildemente aceitou a honra que Deus lhe concedeu.

O anjo Gabriel também informou que Isabel (sua parente) também seria mãe, então Maria foi até a cidade de Judá, onde moravam Isabel e seu marido Zacarias. Quando Maria chegou a casa de Zacarias, o filho de Isabel se mexeu na barriga dela, então veio cumprimentar Maria com belas palavras (Lucas 1:39-45). Maria, por sua vez, fez uma bela oração de louvor a Deus (Lucas 1.46-55).

Este encontro emocionante nos mostra a grandeza deste momento, duas mulheres contemplaram o poder e a graça de Deus de um modo nunca demonstrado. Maria ficou na casa de Isabel até pouco antes do nascimento de João Batista, então voltou a Nazaré.

José quando soube que Maria estava grávida decidiu deixá-la, afinal o filho não era dele. Mas por meio de um sonho recebeu a revelação da vontade de Deus quanto a gravidez de Maria (Mateus 1.18-21). Este filho era o salvador, que deveria se chamar Jesus, porque ele salvaria seu povo dos pecados deles (Mateus 1.24-25), conforme havia sido profetizado pelo profeta Isaías que o salvador nasceria de uma virgem. Portanto obedeceu a Deus e recebeu Maria como sua esposa, e é claro a Jesus como sendo seu filho.

O casamento também protegeu Maria das más línguas, que poderiam acusá-la acerca da gravidez fora do casamento, para resumir Jesus nasceu como filho de José e Maria, como também herdeiro de Davi. O nascimento de Jesus aconteceu em Belém, pois havia um decreto (Lucas 2:1) do César Augusto ordenando um alistamento, em virtude do qual José teve de ir à cidade de Davi, como seu descendente, acompanhado de sua esposa Maria. Não encontrando lugar para se hospedar, foram obrigados a se abrigar numa estrebaria. Ali nasceu Jesus, sua mãe o enfaixou e deitou em uma manjedoura (Lucas 2.7).

Momentos depois chegaram os pastores, relatando a visão dos anjos e o cântico que tinham ouvido, anunciando paz ao mundo pelo nascimento do Salvador. Quarenta dias depois do nascimento Jesus foi levado por seus pais ao templo para serem apresentados, um detalhe é que a lei obrigava as mães a fazer isto (Levítico 11.2 e 6-8.) Ao apresentarem o menino no templo, encontraram o velho Simeão que se alegrou muito por ver o Messias e poder pegar em seus braços, além disto profetizou que o menino teria grandes dores e tristezas pelo que havia de acontecer (Lucas 2.35).

Ao que parece, depois disto, José e Maria voltaram para Belém (Mateus 2.11) e então vieram os magos do oriente que adoraram Jesus e trouxeram presentes (Mateus 2.1-11). Em seguida o casal fugiu para o Egito pois havia um decreto imperial ordenando a morte de meninos recém nascidos. Passada a perseguição, e sob orientação divina eles voltaram para Nazaré onde se dedicaram à educação de Jesus.

Podemos identificar muitos traços do caráter de Maria, um deles é narrado quando Jesus tinha doze anos. Como a lei dizia, eles viajavam anualmente a Jerusalém para festa da páscoa (Lucas 2.41); ao rigor da lei somente os homens eram obrigados (Êxodo 23.17), ainda assim encontramos Maria na festa em companhia do seu esposo e filho. Era costume que a certa idade as crianças deveriam comparecer ao templo, nesta ocasião vemos Jesus debatendo no templo com os doutores da lei. E certamente isto causou espanto a seus pais. E Maria “…conservava todas estas palavras no seu coração” (Lucas 2.51). Com reverência e obediência ao seu chamado prosseguiu no cuidado e educação de Jesus.

Temos motivos para acreditar que José e Maria formaram uma grande família. Os evangelhos (Marcos 6.3 e Mateus 13:55) nos falam o nome de seus irmãos, a saber Tiago, José, Simão e Judas; e também fala das irmãs de Jesus (sendo no plural pelo menos duas). E não sabemos de mais nada sobre Maria até o início do ministério público de Jesus.

Com Jesus já adulto chegamos ao conhecido episódio do casamento em Caná da Galileia (ou Bodas de Caná – João 2.1-10). Maria fala com Jesus sobre o vinho ter acabado, a resposta de Jesus ao dizer “mulher o que tenho eu contigo” (João 2:4) pareceu ser uma resposta dura à sua mãe, porém entendemos que era necessário esclarece que a autoridade de Maria como mãe não a colocava acima de Jesus enquanto Deus. Na qualidade de filho, Jesus deveria ser respeitoso e reverente, porém na qualidade Salvador ela era uma discípula, precisando igualmente, com os demais, a salvação que ele veio trazer ao mundo.

No ato da crucifixão, aparece Maria com outras mulheres, perto da cruz, ao contrário dos irmãos de Jesus (João 7.5), ela sabia da missão salvadora de Jesus, e por isso não é de estranhar que o acompanhasse até a última e fatal jornada a Jerusalém. Maria também contemplou Jesus pregado à cruz e nesta hora ela foi entregue aos cuidados do amado discípulo João, que desde essa hora a levou para sua casa (João 19.25-27). Não sabemos quando foi a morte de José, mas não faz sentido pedir que João cuidasse de sua mãe, se José ainda estivesse vivo; caso contrário teria pedido para João cuidar de ambos.

Depois da assunção de Jesus, ela se encontra na companhia dos apóstolos no quarto alto de Jerusalém (Atos 1.14), e nada mais sabemos a respeito de Maria. Portanto, não sabemos quando foi sua morte e nem que modo morreu. A tradição Católica Ortodoxa celebra no dia 15 de Agosto o recolhimento (ou dormição) de Maria, enquanto a Igreja Católica Romana, na mesma data celebra a Assunção de Maria (subida aos céus); porém estas informações não estão na bíblia.

Existe um túmulo no vale de Cedrom, em quem uma tradição recente atribui ser de Maria. Mas não existem dados históricos confiáveis para validar a tradição. Existem muitas outras lendas e histórias a respeito de Maria, porém nenhuma é digna de fé. Sendo assim, nos contentamos apenas com o que a Bíblia Sagrada nos ensina, pois somente a Escritura Sagrada é a palavra inspirada e revelada de Deus.

Por: Ricardo Moreira Braz do Nascimento

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