O uso do véu, pela mulher, na bíblia

A origem do véu possivelmente vem da necessidade de se proteger do sol, então homens e mulheres usavam um pedaço quadrado de tecido em torno da cabeça; o que conhecemos por turbante ou véu.

Existe alguma controvérsia sobre o uso do véu nos dias de hoje, no segmento evangélico a igreja Congregação Cristã no Brasil (CCB) é conhecida popularmente como “Igreja do Véu”, justamente por conservar o uso do véu na igreja. Porém existe a tradição do véu também na igreja católica e em diversos outros segmentos religiosos.

O apóstolo Paulo ensina e defende o uso do véu na igreja de Corinto; E neste breve estudo vamos entender o uso do véu e refletir se é necessário para toda a cristandade ou não. O texto bíblico em que o Apóstolo Paulo fala do véu é 1 Coríntios 11:5: “Mas toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça, porque é a mesma coisa como se estivesse rapada.”

As vestes e a conduta feminina também são questões abordadas na primeira epístola aos Coríntios. Paulo recomenda que as mulheres usem seus cabelos compridos, porém alguns estudiosos pensam que essa instrução de Paulo deve ser posta dentro da categoria das “situações culturalmente orientadas”.

Em outras palavras, Paulo teria recomendado que as mulheres crentes usassem os cabelos compridos porque, naquela época, usar cabelos curtos era sinal de prostituição, sendo um uso contrário aos costumes sociais mais nobres da época. De modo semelhante, o véu que as mulheres devem usar, quando oram ou profetizam.

Na cultura antiga, e não somente entre os israelitas, a mulher deveria usar o véu. Veja que em nosso dias as mulheres muçulmanas ainda usam o véu todo o tempo, na antiga Babilônia as mulheres as mulheres casadas e concubinas tinham que usar o véu em público, porém as prostitutas não precisavam usar o véu.

Entre os israelitas as mulheres usavam o véu na presença de pessoas estranhas (Gn 24.65; Ct 5.7), deixavam de usar o véu as mulheres em período de luto ou esposas infiéis, cujos véus eram arrancados e os cabelos raspados como forma de humilhação pública. No adendo de Daniel (referência apócrifa) capítulo 13 versículo 32, Suzana é obrigada a andar sem véu como forma de humilhação pública. Entre os israelitas as prostitutas também não usavam o véu. Em resumo nenhuma mulher de respeito retirava seu véu em público ou trazia os cabelos cortados.

Como em toda cultura, o passar do tempo muda os costumes e hoje nem o véu nem os cabelos longos são uma exigência para nós, no ocidente, e em vários lugares também no oriente. Portanto, praticamente não existe estigma às mulheres que não fazem uso desta tradição.

Para compreender bem esta questão o melhor que podemos fazer, assim como para qualquer outro texto, é analisar dentro do seu contexto. Ou seja, os demais versículos que acompanham, os de antes e depois. Afinal somente compreendo a intenção do autor e o contexto da ocasião podemos aprender corretamente.

O tema geral deste texto são os princípios para o culto público, que vai de 1 Coríntios 11:2 até 14:40. O ponto de partida são as diferentes posições entre homens e mulheres na congregação. Aqui Paulo dá instruções a respeito da conduta própria dos cristãos, homens e mulheres.

Embora à primeira vista algumas declarações de Paulo sejam difíceis de compreender, se observarmos bem o texto, podemos identificar a importância do ensino geral e a relevância para os dias de hoje. Afinal os costumes sociais sempre vão fornecer o pano de fundo para o exercício da nossa fé, mesmo nossa cultura sendo tão diferente dos tempos bíblicos os fatores envolvidos são os mesmos, a saber, modéstia, propriedade e ordem.

No versículo três (03) é dito que “o cabeça de todo homem é Cristo”. Este versículo coloca a matéria toda em sua perspectiva própria. Paulo enuncia um princípio, grande e básico, da ordem da criação, e aplica-o na solução da matéria em apreço. Sobre o cobrir a cabeça (versículo 04) é sinal de sujeição. O homem, criado à imagem de Deus (versículo 7), não precisa “cobrir-se” na presença das outras criaturas (talvez inclusive os anjos), mas é apropriado às mulheres fazerem assim, visto que, por desígnio de Deus, ela é sujeita ao homem.

Uma mulher raspar a cabeça (versículo 6) naqueles tempos, era sinal de vergonha ou desgraça (como foi dito acima), indicativo de que a tal era adúltera ou prostituta; na melhor das hipóteses representava a dor do luto.

O conceito que a Escritura faz do casamento (versículo 9) é tal que, apesar de a mulher dever obediência a seu marido, os deveres do marido para com a mulher, a protege de ser arbitrariamente dominada. Afinal o marido deve amar a esposa como Cristo amou a igreja. De modo que se entregou, morreu por ela.

Seguindo a cultura da época, a mulher precisava trazer o véu na cabeça (versículo 10), como “sinal de autoridade“. Existem muitas propostas de interpretação, me parece que a mais simples parece ser a correta. Lemos que a mulher se originou do homem e foi criada por causa dele, cobrir a cabeça era um modo de reconhecer (ou era um “sinal” de) estar sob a ordem divina na obra da criação; um modo simbólico e reconhecer a autoridade do marido.

Um ponto delicado é o entendimento da questão dos anjos no versículo 10 (“Por essa razão e por causa dos anjos”); Para nós é uma frase de sentido obscuro, mas provavelmente era bem compreendida pelos cristãos coríntios da época. Alguns relacionam este versículo com a narrativa da união dos “filhos de Deus” com “as filhas dos homens” em Gênesis capítulo 6, mas a razão de tal referência aqui não é muito clara.

Uma interpretação mais simples é a que vê aqui uma referência ao fato de os judeus e a Igreja Cristã primitiva pensarem que os anjos estavam presentes em suas reuniões de culto. Onde estiverem reunidos, santa e ordeiramente, cada adorador deve mostrar que reconhece a ordem da criação divinamente estabelecida. Outra possibilidade é que Paulo estivesse se referindo a um terço dos anjos rebeldes, que foram expulsos. Então assim como os anjos rebeldes foram expulsos, as mulheres não deveriam seguir o caminho destes anjos, para não sofrerem o mesmo destino.

Ao final, o Apóstolo Paulo reforça seu argumento apelando para o costume natural e o senso comum. No versículo 14 fala da ordem natural das coisas, e cabe a nós aplicar estes conselhos a fim de garantirem condições que, semelhantemente, produzam modéstia, propriedade e ordem.

Por: Ricardo Moreira Braz do Nascimento

Referências Bibliográficas

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SINCLAIR, Ferguson B. Novo Dicionário de teologia. São Paulo: Hagnos, 2009

____ Dicionário da Bíblia de Almeida – 2a Edição 1999 Sociedade Bíblica do Brasil

DEREK, Williams, Dicionário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2000.

DAVIDSON, F. O Novo Comentário da Bíblia: Vida Nova, 1997

PFEIFFER, Charles F. Pfeiffer; HARRISON, Everett F. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular; 1ª edição, 2017

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