Quem são os Apóstolos de verdade?

A palavra apóstolos na bíblia, basicamente se refere aos 12 homens chamados por Jesus para estarem com ele, pregar, curar e encorajar (Mc 3-13-19). Sua principal função era testemunhar de Jesus, e o testemunho deles baseava-se em anos de conhecimento íntimo, expe­riência árdua e treinamento intensivo (Mc 8:27).

Também testemunharam sua ressurreição (At 1:22), o que os tornou testemunhas eficazes de sua pessoa; ele mesmo os comissionou para um testemunho de alcance mundial no poder do Espírito Santo (At 1.8).

Em Jo 14-17 diz-se que esse testemunho é o próprio testemunho do Espírito Santo (15.26); ele lhes lembrará as palavras de Jesus (16.13-15). O testemunho deles não fica, portanto, a cargo de suas lembranças, mas do Espírito Santo.

Apóstolos é o termo usado no NT, para qualificar os integrantes de determinados grupos de pessoas. São eles:

  1. Os doze discípulos chamados por Jesus para ajudá-lo em sua missão (Mt 10.2). Esse número inevitavelmente lembra as doze tribos de Israel (cf. Mt 19.28; Lc 22.29,30), sugerindo que os Doze constituíam o núcleo de um novo Israel, formado por aqueles que aceitaram Jesus como Mes­sias. O papel futuro atribuído aos apóstolos — julgar as tribos de Israel — pode ser simplesmente um modo de dizer que eles compartilharão do futuro reino de Deus enquanto o Israel incrédulo será descartado.
  2. Um grupo mais amplo, incluindo os Doze, que viu o Senhor ressuscitado e cujos integrantes receberam ordem de ser missionários (1 Co 15.7; cf. 9.1). Lucas tende a restringir esse título aos Doze (exceto em At 14.4,14), como companheiros do Senhor e testemunhas de sua ressurreição (At 1.21,22; 10.40-42), mas Paulo enfatiza o seu papel como pionei­ros plantadores de igrejas, cujas credenciais são justamente as con­gregações que fundaram (1 Co 9.2).
  3. Em sentido mais amplo, obreiros ou representantes de congrega­ções, chamados, no original grego, “apóstolos das igrejas” (2 Co 8.23; Fp 2.25).
  4. Pessoas que falsamente reivindicavam (aos olhos de Paulo) ser apóstolos e trabalhavam como missionários em rivalidade com ele (2 Co 11.13).

A palavra “apóstolo” pode ter várias conotações. Se for uma tra­dução do hebraico sãlíah, significa uma pessoa que age como repre­sentante plenamente autorizado de alguma organização. O sentido de “missionário” é também bastante frequente. Para Paulo, seu sentido de apostolado era de importância primordial em sua autocompreensão.

Apóstolo de um verbo grego comum, “enviar” , mas há poucas ocorrências fora do NT, onde significa “ pessoa enviada” . No NT, contudo, ocorre mais de 80 vezes, sendo aplicada a Jesus como o “enviado” de Deus (Hb 3-1), aos enviados por Deus no passado a fim de pregar para Israel (Lc 11.49) e aos enviados pelas igrejas para missões (2Co 8.2 3 ). Apóstolo, para ele, equivalia a ser um servo, ou escravo, de Jesus (observe como Paulo se define no começo de todas as suas epístolas ao apresentar suas credenciais).

O apostolado está associado à funda­ção de igrejas e com única autoridade sobre elas em termos de impor disciplina e de receber e transmitir revelação normativa, de modo que os apóstolos, juntamente com os profetas, formam o fundamento da igreja (Ef 2.20; cf. 1 Co 12.28,29; 2 Pe 3.2).

Paulo enfatiza também ser destino especial do apóstolo sofrer, e até mesmo morrer, de tal forma que seus convertidos possam viver, explorando o paradoxo da posição humilde do apóstolo a despeito de sua alta vocação (1 Co 4.9; 2 Co 4).

Tendo sido os apóstolos (exceto no sentido de representantes, ou emissários, das igrejas) testemu­nhas da ressurreição e formando o fundamento da igreja, sua ativi­dade era um fenômeno sui generis, incapaz de repetição. Eles não ti­veram propriamente sucessores e, em princípio, não pode haver sucessor algum. A igreja, no entanto, pode e deve ser ainda apostólica, no mesmo sentido em que deve viver em conformidade com o ensino deles, enraizado nas Escri­turas do NT e seguir seu exemplo de sofrimento junto com o Senhor.

Estudiosos há que, todavia, ar­gumentam que a igreja somente será “apostólica” se seus dirigentes (geralmente bispos) forem consa­grados pela imposição de mãos em uma cadeia de natureza física que remonta aos primeiros apóstolos. João Wesley disse o que parece ter sido a palavra definitiva sobre o assunto, ao declarar que “a su­cessão ininterrupta eu acredito ser uma fábula, que nenhum homem jamais provou nem poderá provar”.

Com tudo isto que sabemos, consideramos os 12 apóstolos como colunas (Gl 2.9) ou fundamento (Ef 2.20) da igreja, de sua doutrina e comunhão. Eles serão assessores no julgamento final (Mt 19 28), o nome deles estará inscrito nas estruturas da cidade celestial (Ap 21.14). O ministério deles foi acompanhado de sinais espetaculares (At 8:14).

Pedro traiu um princípio fundamental que aceitara previamente, sendo censurado por um companheiro (Gl 2:11). O NT pouco diz a respeito do governo deles na igreja. Eles investigavam igrejas que enfrentavam problemas (At 11.20-22), mas o crucial Concílio de Jerusalém consistia em presbíteros e também após­ tolos (At 15-6), e o governo da igreja era um dom específico exercido por presbíteros locais (1 Co 12:28). A identidade funcional que alguns veem entre os apóstolos e os bispos do século não é, de maneira alguma, óbvia.

Os requisitos para os 12 eram ter recebido um chamado divino e ter testemunhado a ressurreição, de modo que Matias poderia substituir Judas (At 1.21-26). Ainda que acrescentado aos 12, é justo que Paulo reclame o título em virtude de seu chamado em Damasco e da visão de Jesus ressuscitado (1 Co 9:1).

No NT há outras pessoas que também recebem o título: Tiago, o irmão do Senhor (Gl 1:19); Barnabé (At 14:14); Andrônico e Júnias (Rm 16:7); o título está implícito em referência a Silas em 1 Ts 2.6; e Epafrodito é chamado “mensageiro” (apóstolo) Fp 2:25. Alguns entendem que são mais tarde chamados apóstolos os que estavam entre os 70 enviados por Jesus (Lc 10).

O texto de 1 Co 15:5-7 implica uma distinção entre os 12 e “todos os apóstolos”, sendo inques­tionável o peso especial dos 12. O NT não considera a transmissão das funções apostólicas deles porque os fundamentos por eles lançados foram registrados no  NT para as gerações futuras.

Há grupos não episcopais em que os líderes se declaram a si mesmos apóstolos; os quais, no entanto, também se equivocam ao julgar que o apostolado esteja associa­do às testemunhas originais da ressurreição.

Por: Ricardo Moreira Braz do Nascimento

Bibliografia

C. K. Barrett, The Signs of an Apostle (London, 1970);

J. A. Kirk, Apostleship since Rengstorf: Towards a Synthesis, NTS 21 (1974-1975), p. 249-264;

K. H. Rengstorf, in: TDNT I, p. 407-447; W. Schmithals, The Office of Apostle in the Early Church (London, 1971).

Derek Williams: The New Concise Bible Dictionary. 1989 Universitiesand Colleges Christian Fellowship

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