O que é o óleo (ou azeite) na bíblia?

O tipo de óleo mais comum na bíblia é o de oliva; cultivavam-se oliveiras! Na Palestina, e o óleo feito por esmagamento da fruta produz um importante item comercial. Era usado na preparação de alimentos (1Rs 17.12), e também como combustível de lâmpadas (Mt 25.1). Na medicina, era um remédio valioso para distúrbios gástricos, e o povo também o aplicava em contusões e feridas (Lc 10.34 ).

O óleo de oliva era produzido por esmagamento das azeitonas com um pilão num almofariz de pedra (em forma de tigela) ou em um a prensa de madeira; o jardim do Getsêmani recebeu seu nome de prensas de óleo para processamento de frutos colhidos no monte das Oliveiras.

Unguentos cosméticos algum as vezes também chamados óleos (2 Sm 14.2; “óleo de mirra” em Et 2.12) eram usados para ungir o corpo. O óleo era usado em rituais religiosos. O azeite de oliva era oferecido entre as “primícias” (Ex 22.29) e misturado com algum as ofertas de alimentos (Lv 8.26). O óleo de unção para consagrar os sacerdotes era um a mistura especial.

Poucos dos ingredientes de Ex 30.22-33 podem ser claramente identificados.

  • “Mirra fluida” certamente era a essência volátil da goma de resina do bálsamo dos da Arábia, provavelmente aquecida com gordura ou óleo fixador para produzir um unguento perfumado que escorria .
  • “cinamomo odoroso” provavelmente era feito de casca de árvore ou madeira aromática;
  • “ cálamo aromático” era um tipo de raiz ou tronco; e,
  • “ cássia” pode ser uma casca aromática.

Vamos estudar dividindo em alguns pontos, a saber: Termos, Produtores de Azeite, História do uso do Azeite, Manufatura, Usos do Azeite, Usos Religiosos, Valor Comercial, Usos Figurados e Uso Moderno.

Termos

No hebraico temos shemen, “graxa” ou “unguento”, yishar, “brilhante” e “azeite claro”. Está  em foco o azeite de oliveira. (Nm. 18:12 e Dt. 7:13). No aramaico temos meshak, “unguento” (Ed. 6:9 e 7:22). No grego temos elaion, “azeite de oliveira”.

Produtores de azeite

Vários animais, peixes e plantas, mais especificamente ainda, as azeitonas. Há doze tipos  diferentes de óleos vegetais, entre os quais citamos a oliva, o rícino, o babaçu, a amêndoa, etc.

História do uso do azeite

A origem do uso de azeite perde-se nas brumas da antiguidade. Há óleos mencionados nos registros históricos de todos os povos. Os egípcios tinham muitos tipos de óleos, de muitos produtos diferentes. Na Grécia o azeite de oliveira remonta até onde os registros recuam. Também eram usadas gorduras animais, embora o azeite de oliveira fosse o principal óleo dos antigos.

Sabemos sobre o culto da oliveira em Creta, desde 2500 A.C. O cultivo da oliveira e o uso de seu azeite, com vistas a muitos propósitos, inclusive para cozinhar, era comum nas terras que margeavam o Mediterrâneo oriental, tendo chegado a Roma desde 580 A.C. Moisés chamou a Palestina de «terra de oliveiras» (Dt 8:8), o que significa que quando o povo de Israel ali chegou, já encontrou essa espécie vegetal.

Manufatura

As azeitonas eram espremidas à mão, pisadas, ou esmagadas em moinhos (Ex 27:20; 29:40; Lv 24:2; Nm 28:2).  Uma boa oliveira pode produzir nada menos de 60 litros de azeite, anualmente. As azeitonas precisavam ser esmagadas com cuidado, para que o caroço não fosse partido, o que liberaria um líquido indesejável. Para que o fruto produzisse bom óleo, a polpa devia ser ensopada em água quente, e então ser espremida uma segunda vez.

Se o processo fosse repetido, haveria mais algum azeite, embora de qualidade inferior. Então deixava-se o líquido em repouso, em uma jarra ou gamela, para que as impurezas se juntassem no fundo, por decantação. Havia prensas comerciais de grandes dimensões, como aquelas que foram encontradas em Debir e Bete-Semes, em Judá, datadas dos séculos X e VI A.C.

Usos do azeite

  • Como alimento (I Reis 17:12; II Reis 4:2). O azeite era misturado com a farinha de trigo, para o fabrico de pão (I Reis 17:12), ou para o fabrico de bolos (Lv 2:1; 4-7). Os gregos faziam a maza, uma espécie de mingau, do qual participava o azeite de oliveira. As azeitonas, sem qualquer preparação prévia, serviam de alimento para os antigos. Para os israelitas, a azeitona e seu azeite revestiam-se de primária importância (Jr 31:12; 41:8; Lc 16:6). Sua abundância era considerada um sinal de prosperidade (Joel 2:19).
  • Como cosmético, para ungir a pele do corpo, os cabelos, etc., ou simplesmente para efeito de beleza. (Dt 28;40; II Sm. 12:20; 14:2 e Rute 3:3).
  • Para ungir os mortos.
  • Como medicamento: O azeite era esfregado no corpo quando a pessoa estava febril, ou era usado em banhos e na unção de ferimentos (Isaías 1:6 e Lc 10:34). Flávio Josefo fala no uso de azeite quente, em banhos, para  cura de certas enfermidades. O azeite de oliveira era usado como um rito, na unção dos enfermos, no aguardo da prometida intervenção divina (Tg 5:14).
  • Como sinal de hospitalidade: Pés e mãos eram lavados e ungidos com azeite, como sinal de cortesia prestada aos visitantes (Sl 23:5). A negligência quanto a esses cuidados era considerada uma descortesia (Lc 7:46). Esse azeite usualmente era propositalmente perfumado.
  • Para efeito de iluminação: O azeite era o combustível usado nas antigas lâmpadas, que usavam pavios de pano torcido, de algodão ou de palha (Mt. 25:1-8 e Lc 12:35).

Usos religiosos

O azeite de oliveira é usado com propósitos religiosos desde a remota antiguidade. No papiro Petersburg, à deusa-cobra são prometidos nove azeites santos, para ungir a sua estátua. Na Bíblia, o azeite da unção era uma cerimônia que envolvia reis (1 Sm 10:1), sacerdotes (Lv 8:30), profetas (Isaías 61:1) e até o escudo dos guerreiros (2 Sm 1:21 e Isaías 21:5). O tabernáculo e seus móveis foram ungidos (Ex 30:22,23). O azeite era usado como combustível que permitia que o candeeiro permanecesse perpetuamente aceso no santuário (Ex 27:20).

Era oferecido juntamente com o cereal (Lv. 2:4-6), e fazia parte do dizimo (Dt 12:17). Também era oferecido aos ídolos (saías 57:9). O uso do azeite, nos sacrifícios, indicava a alegria e o júbilo, ao passo que a ausência de azeite indicava necessidade e humilhação (Isaías 61:3 e Joel 2:19).

Valor comercial do azeite

O azeite figurava entre os principais artigos do comércio, juntamente com os cereais e o vinho (Nm. 18:12; Dt 7:13). Era largamente negociado (Ez 27:17; Lc. 16:6). As riquezas de uma pessoa eram parcialmente calculadas em termos de azeite. Óleo batido (que era o melhor azeite) formava parte do pagamento anual de Salomão a Hirão, de Tiro (1 Rs 5:11).

O azeite era um produto de valor suficiente para que Eliseu aconselhasse a viúva a pagar sua dívida mediante a venda de azeite (2 Reis 4:7). Era guardado nos tesouros reais juntamente com ouro, prata e especiarias (2 Reis 20:13), e também era usado no pagamento do tributo (Oseias 12:1). Ismael poupou as vidas de dez peregrinos vindos de Siquem, quando eles lhe ofereceram azeite, juntamente com trigo e cevada. Ostraca dos dias de Jeroboão II, encontradas em Samaria, dão testemunho do comércio do azeite.

Em Apocalipse 18:12.13, o azeite é alistado entre os produtos preciosos, juntamente com o marfim, os cavalos, as especiarias, o vinho e os escravos. Havia negociantes especializados no comércio do azeite (Mt. 25:8).

Usos figurados

  • símbolo de abundância (Provérbios 21:17);
  • símbolo de alegria (Sl. 45:7);
  • a ausência de azeite era evidência do desprazer divino (Joel 1:10); e a sua abundância representava as bênçãos divinas (Joel 2:24);
  • as palavras enganosas são comparadas ao azeite (Sl. 55:21).
  • o Espírito Santo e Sua unção são representados pelo azeite (Lv 8:13; 1 Sm 10:1; Isaías 61:1 e Mt 25:1,8,9);
  • as palavras da mulher sedutora são comparadas ao azeite (Provérbios 5:3);
  • as consolações do evangelho assemelham-se ao azeite (Isaías 61:3 e Hb. 1:9);
  • o azeite simbolizava a unção aprovadora de reis, profetas, e do próprio Messias (Hb 1:9).

Modernos usos religiosos

O bispo católico romano consagra três óleos santos na Terça-feira Santa:

  1. O óleo dos catecúmenos, derivado da prática do uso do óleo da unção, por ocasião do batismo, o qual é usado nos atos de batismo, consagração de igrejas, altares, ordenação de sacerdotes e coroação de monarcas católicos romanos.
  2. Na crisma é usado o azeite de oliveira misturado com bálsamo, para unção no batismo, na confirmação nas Santas Ordens, nas igrejas, nos altares, nos cálices, nos sinos e nas águas do batismo.
  3. O óleo da extrema-unção, usado nos moribundos.

Fontes:

R. N. Champlin; O Antigo Testamento Interpretado. Editora Hagnos

Derek Willians; Dicionário Bíblico Vida Nova. Editora Vida Nova

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