A cruz e a Cerimônia de crucificação

A cruz

A cruz era um instrumento de punição e execução de criminosos condenados. A palavra “cruz” não se encontra no Antigo Testamento, apesar de que a crucifixão era praticada por vários povos da antiguidade; ainda assim encontramos no Antigo Testamento cadáveres pendurados em árvores como forma de aviso (Dt 21.22).

Pelo relato bíblico sabemos que a cruz era de madeira pesada, (Cl 2.14), mas não tanto que não pudesse ser carregada por um homem (Mt 27.32; Mc 15.21; Lc 23.26; Jo 19.17). Existiam três tipos de cruzes:

  1. Cruz de Santo André: tinha a forma de X,
  2. Cruz Tau: (referência à letra grega ‘tau’) um T,
  3. Cruz Latina (tradicional para nós) que lembrava uma espada romana.

A tradição cristã ensina que a cruz de Cristo era a cruz latina, talvez a tradição seja reflexo da imaginação dos artistas que pensaram onde seria colocada a inscrição sobre a cabeça de Jesus (Mt 27. 37; Mc 15. 26; Lc 23. 38; Jo 19. 19). Existem diversas figuras (ou ilustrações) de Cristo crucificado que trazem as letras INRI, que em latim são as iniciais a frase (em latim): “Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum” (Jesus Nazareno Rei dos Judeus).

Naqueles tempos a cruz era uma pena cruel e vergonhosa, afinal era cruel, angustiante e humilhante (Jo 19. 31; 1 Co 1. 23; G1 3.13; Fp 2. 8; Hb 12. 2; 13.13). Portanto a condenação à cruz era a maior desonra pública da época.

A Cerimônia de Crucificação

Crucificação é o ato de fixar o condenado à cruz. Após julgado e condenado, começa uma seção de humilhação e tortura pública, com gritos, vaias, açoites e a obrigação de carregar a própria cruz até o local da crucificação. No local da crucificação as mãos e pés do condenado são presos na cruz, então a cruz é levantada e o condenado ficará lá até a morte.

Havia vários tipos de chicotes, um dos mais comuns era um chicote de tiras de couro. Enquanto sofre os açoites, o condenado precisava a carregar a cruz, como um escravo, até o local de sua execução fora da cidade. Então era despido, deitado no chão com a viga (latim: patibulum – a parte horizontal da cruz) sob os ombros e os braços ou mãos amarrados ou pregados a ela.

A cruz era erguida e segurada na vertical, de modo que os pés da vítima (que eram amarrados ou pregados) ficassem afastados do chão. A maior parte do peso do corpo era sustentada por uma estaca atravessada, sobre a qual a vítima se sentava.

Alguns condenados eram atados (amarrados) à cruz, a morte era mais lenta. Neste caso se dava pela fome e pela sede e poderia levar dias. Em outros casos a vítima era pregada na cruz, neste caso a morte era mais rápida, possivelmente por causa dos sangramentos. Se por algum motivo fosse preciso acelerar a morte as pernas eram quebradas, como fizeram com os dois malfeitores que foram crucificados ao lado de Jesus (Jo 19:31-33).

Existe evidências arqueológicas de uma pessoa crucificada entre 7 e 66 d.C., encontrados em Jerusalém, apresentavam as pernas torcidas de modo que as panturrilhas ficavam paralelas à trave da cruz; isso deve ter causado forte dor, espasmos e terríveis cãibras, que contribuíram para uma morte mais rápida.

Os fenícios e os cartagineses praticavam a crucificação. Mais tarde os romanos empregaram em grande escala, raramente para cidadãos romanos, mas em geral para escravos, provincianos e criminosos de mais baixo calão.

Alexandre, o Grande, mandou crucificar mil tírios. Ciro (segundo Flávio Josefo), quando publicou o decreto concedendo a volta dos judeus para Jeru­salém, ameaçou de morte por crucifixão a todo aquele que embaraçasse a execução de suas ordens. Antíoco Epifanes crucificou muitos dos judeus que recusaram abandonar a sua religião. Alexandre Janeus e os fariseus crucificavam os seus inimigos.

Escritores da época descrevem essa forma de morte cruel e degradante como algo muito doloroso, mas os evangelhos não dão descrição detalhada dos sofrimentos de Jesus. Isto aconteceu devido ao foco teológico (espiritual) da morte de Cristo, ou por ser algo tão comum não viram motivos para detalhar o que já era de notório conhecimento público.

O general Tito mandou crucificar muitos judeus após a tomada de Jeru­salém (70 d.C), mais tarde o Imperador Constantino (272-337 d.C ) aboliu a morte por crucificação em todo o império romano.

Por: Ricardo Moreira Braz do Nascimento

Referências Bibliográficas

BORGER, Hans. Uma história do povo judeu (vol. 1). São Paulo, Ed. Sêfer Ltda, 1999.
DAVIS, D. John. Novo Dicionário da Bíblia. Hagnos; 2005
JOSEFO, Flávio. Antiguidades dos Judeus Contra Apion; Juruá Editora 2001
JOSEFO, Flávio. A Guerra dos Judeus. História da Guerra Entre Judeus e Romanos. Editora Sílabo 2013 
WILLIAMS, Derek. Dicionário Bíblico Vida Nova. Ed. Vida Nova, São Paulo 2000

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